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Trincas, Fissuras e Rachaduras: quando chamar um engenheiro

  • Guias
  • 3 min de leitura
Capa com o texto "Guia: Trincas e Fissuras" sobre fundo preto com ondas de partículas vermelhas

Quase todo imóvel tem alguma fissura. A maior parte é superficial e não oferece risco. O difícil é saber, olhando, qual delas é só do reboco e qual indica um problema na estrutura ou na fundação. Este guia ajuda a separar uma coisa da outra.

Fissura, trinca e rachadura: a diferença

A classificação mais usada leva em conta a abertura:

NomeAbertura aproximadaComo costuma ser
Fissuraaté 0,5 mmFina, superficial, atinge a pintura ou o reboco
Trincade 0,5 mm a 1,5 mmMais profunda, pode atravessar o reboco e chegar à alvenaria
Rachaduraacima de 1,5 mmAbertura visível, pode deixar passar luz, ar ou água

A abertura é só o começo. O que define a gravidade é a posição, o formato e se ela está aumentando.

Sinais de alerta

Procure um engenheiro quando a abertura:

  • é inclinada, perto de 45 graus, saindo dos cantos de portas e janelas;
  • aparece em pilares, vigas ou lajes, e não só na parede;
  • é horizontal, na base ou no topo de paredes;
  • aumenta de tamanho ou reaparece depois do reparo;
  • vem acompanhada de portas e janelas emperrando ou de piso desnivelado;
  • surgiu depois de uma obra vizinha, de uma escavação ou de um vazamento;
  • deixa ver ferragem, ferrugem ou concreto se soltando.

Causas mais comuns

  • Movimentação térmica e retração: fissuras finas e espalhadas no reboco e em lajes de cobertura.
  • Recalque da fundação: trincas inclinadas, em degraus, que crescem com o tempo.
  • Sobrecarga: paredes ou cargas colocadas onde a estrutura não foi prevista para receber.
  • Reforma sem critério: retirada de parede ou abertura de vão sem verificação.
  • Corrosão da armadura: trincas ao longo de vigas e pilares, com manchas de ferrugem.
  • Encontro de materiais: fissura reta no encontro da alvenaria com pilares e vigas.

Como acompanhar uma trinca

Enquanto a vistoria não acontece, você pode registrar a evolução:

  1. fotografe com uma régua ao lado e anote a data;
  2. marque com lápis o ponto onde a trinca termina;
  3. repita a foto a cada semana, do mesmo ângulo.

Se ela avançar além da marca, a causa está ativa. Leve esse registro para o engenheiro.

O que o engenheiro faz

Na vistoria, o engenheiro mede as aberturas, mapeia a posição das trincas, verifica a estrutura e investiga a causa. Quando necessário, instala referências para monitorar a movimentação. O resultado é um laudo estrutural com o diagnóstico e a indicação do reparo, que pode ir de um simples tratamento do revestimento a um reforço.

Em caso de risco imediato

Estalos, deformação visível, rachadura que abre de um dia para o outro ou parede fora de prumo pedem que o local seja desocupado. Acione a Defesa Civil pelo 199 e só volte depois da avaliação.

Trinca causada por obra vizinha

Se o dano apareceu durante uma construção ao lado, o documento que protege os dois lados é a vistoria cautelar, feita antes da obra. Sem ela, a discussão sobre a causa passa por uma perícia de engenharia.

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